"O sistema engloba inclusive a própria crítica" - diz o professor de Teoria da Comunicação. Ele é baixinho e adora conjunções: períodos infinitos, poucas frases de efeito. "O sistema engloba inclusive a própria crítica" é o que absorvo do discurso. "O sistema engloba inclusive a própria crítica" e "essa maluquice classificatória, ela é complicada". O déficit de atenção voluntário me vale pequenas capturas, de frases e bocejos a rabiscos e distrações quaisquer. Moscas e revista Caras.
Às vezes, eu levo revista Caras de propósito. Sabe aquele pessoal que se diz subversivo, alternativo demais? É preciso dar uma quebrada no climão: entre Camus, Umberto Eco, Piauí, uma Caras.
Subversão: a lorota grogue dessa maluquice classificatória pós-moderna. Babaca no contexto antigo, pior ainda no contexto novo.
Às vezes, eu gostaria de não ser [parecer] tão alheia, seja às crianças defenestradas da semana, ao conflito no Tibet, às eleições no Paraguai, à taxa de analfabetismo no Brasil, aos apelos do Greenpeace.
Às vezes, eu queria querer mudar o mundo, mas não me pretendo Gandhi, ricaça filantropa, líder religiosa nem soldado. E agora que sei que "o sistema engloba inclusive a própria crítica" não vejo razão. Ou me desculpo apenas. De um ou outro modo, aprendo a conservar minhas perspectivas modestas.
Isso me torna alienada. Contudo, é bom lembrar que "essa maluquice classificatória, ela é complicada", o que me confere não somente o título de alienada, mas também de fatalista, apolítica, conformada, amoral, pé no chão etc..
A crítica está tão incluída no sistema que o fato de você não criticar, ou não desenvolver um senso crítico opinativo faz com que te critiquem.
Tenho por mim que o ser humano faria melhor se se dedicasse a consertar os próprios bagaços. Então as escolas só precisariam ensinar o bom português e princípios de ética. Enquanto os pobres trabalham e aprendem a falar errado.
Eu planto árvores ao longo do ano. Um dia, quero ensinar alguém a ler (ou pagar pra que aprendam, afinal, hoje em dia a gente dispõe desse tipo de luxo), nem que seja o meu próprio filho. Assim como quero ensinar pedinte com um filho no peito e o outro na mão a usar camisinha. E fornecer estoques de camisinha pra ver se ao menos um exemplar desse pessoal que produz esfomeados em escala industrial dá uma refreada.
"Isso significa protagonismo e isso é muito legal" - diz o professor.
Na real, é só mais uma maneira de tornar o cotidiano um pouco mais afável, sem qualquer revolução ou criticismo eloqüente. Revolução é sangüinária; a crítica, demasiado prolixa. A consciência de perspectivas modestas e o que ela nos faz fazer quando à vista de nossos problemas de sempre e dos detalhes cotidianos é bem mais melhor de legal, eficiente e pacífica. :0-
Às vezes, eu levo revista Caras de propósito. Sabe aquele pessoal que se diz subversivo, alternativo demais? É preciso dar uma quebrada no climão: entre Camus, Umberto Eco, Piauí, uma Caras.
Subversão: a lorota grogue dessa maluquice classificatória pós-moderna. Babaca no contexto antigo, pior ainda no contexto novo.
Às vezes, eu gostaria de não ser [parecer] tão alheia, seja às crianças defenestradas da semana, ao conflito no Tibet, às eleições no Paraguai, à taxa de analfabetismo no Brasil, aos apelos do Greenpeace.
Às vezes, eu queria querer mudar o mundo, mas não me pretendo Gandhi, ricaça filantropa, líder religiosa nem soldado. E agora que sei que "o sistema engloba inclusive a própria crítica" não vejo razão. Ou me desculpo apenas. De um ou outro modo, aprendo a conservar minhas perspectivas modestas.
Isso me torna alienada. Contudo, é bom lembrar que "essa maluquice classificatória, ela é complicada", o que me confere não somente o título de alienada, mas também de fatalista, apolítica, conformada, amoral, pé no chão etc..
A crítica está tão incluída no sistema que o fato de você não criticar, ou não desenvolver um senso crítico opinativo faz com que te critiquem.
Tenho por mim que o ser humano faria melhor se se dedicasse a consertar os próprios bagaços. Então as escolas só precisariam ensinar o bom português e princípios de ética. Enquanto os pobres trabalham e aprendem a falar errado.
Eu planto árvores ao longo do ano. Um dia, quero ensinar alguém a ler (ou pagar pra que aprendam, afinal, hoje em dia a gente dispõe desse tipo de luxo), nem que seja o meu próprio filho. Assim como quero ensinar pedinte com um filho no peito e o outro na mão a usar camisinha. E fornecer estoques de camisinha pra ver se ao menos um exemplar desse pessoal que produz esfomeados em escala industrial dá uma refreada.
"Isso significa protagonismo e isso é muito legal" - diz o professor.
Na real, é só mais uma maneira de tornar o cotidiano um pouco mais afável, sem qualquer revolução ou criticismo eloqüente. Revolução é sangüinária; a crítica, demasiado prolixa. A consciência de perspectivas modestas e o que ela nos faz fazer quando à vista de nossos problemas de sempre e dos detalhes cotidianos é bem mais melhor de legal, eficiente e pacífica. :0-
billie jean, michael jackson
