sábado, 18 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
House me entenderia
Fui doar sangue hoje e a verdade é que pode ser bonito e tudo, mas eu doo por causa do baratinho que dá depois. Bate a sensação de que você dançou a noite toda, fez um desjejum à base de bolachas gostosas e ainda tá ligado. Boa pedida pra quem se afunda no tédio.
Hm
A verdade é que eu sei que estou no curso errado.
E o grande inconveniente é que ainda não achei o certo.
Talvez não haja.
E o grande inconveniente é que ainda não achei o certo.
Talvez não haja.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
a provocação barata
-- eu quero intimidade; você tem que confiar em mim.
ele dizia exatamente assim. eu ficava constrangida. a gente entende intimidade por muitas coisas e eu nunca fui muito íntima de ninguém. então eu respondia que não se exige confiança assim tão rápido.
acho que ele queria que fosse rápido porque estava mais velho do que pensava...
ao tentar definir confiança, na pele dele eu diria que procuro alguém com quem dividir uma verdade exclusiva, sobre a qual tivéssemos de mentir. claro, porque a mentira torna tudo mais interessante.
sempre houve ali uma admiração mútua. éramos parecidos desde que eu me lembrava; dois exclusivistas solitários, desleixados, obcecados por ideias, com egos monumentais (...) é... seria bom ter um amigo assim; parecido comigo (pra variar) e mais íntimo, enfiado nas minhas tralhas.
já houve quem me dissesse coisas tão bonitas quanto ele, mas não tão irredutivelmente. ele dizia que o meu carinho era a minha melhor parte e que eu faria melhor se não me reservasse tanto. "são características contraproducentes", completava. falava que via o meu cuidado com sei lá quem e eu suspeitava que tivesse ciúmes do que eu explicitava em determinadas ocasiões por determinadas pessoas. eu me sentia verdadeiramente notada. e não, não é pela massagem de ego; é pelo fato de um quase-estranho-ridiculamente-familiar ter me sacado o suficiente pra dizer as mesmas palavras que eu usaria, se pudesse falar algo bom a meu respeito estando na pele de uma terceira pessoa.
-- me conta algo que você nunca disse a ninguém.
mas que fissura, eu pensava. acho que ele realmente precisa da minha confiança. tinha vontade de perguntar por que, mas temia que ele respondesse que queria nos esconder. e depois temia que aquele fosse um simples jogo sujo... e eu finalmente respondia que, mesmo se contasse todos os meus segredos, ele não teria nada. ele dava uma risada irônica.
os dias prosseguiam assim. eu no escritório dele, analisando contas, mexendo em tabelas. ele se aproximava, trazia o almoço e ficava papeando comigo. falava pracaraleo. dizia que era pra compensar o meu silêncio. e fazia dessas observações sacais que me confundiam. ele não tinha ideia das coisas que aconteceram comigo e, no entanto, como que me adivinhava.
em dado momento, comecei a suspeitar de que, no fundo, no fundo, ele falava de si mesmo. isso me irritava... porque é exatamente o que eu faço. e faço com aquela panca de quem tem mais dez truques na manga. ele também fazia e sabia que fazia. era brincar com um espelho.
o problema é que havia mais alguém. uma pessoa em comum, que ele conhecia bem e eu também. ele me pedia intimidade, com a desculpa de que eu não poderia nunca dividir certas coisas com essa terceira pessoa. coisas sobre nós, que nós confidenciaríamos. feito um peão de tabuleiro de xadrez, eu fingia que não, mas já estava enfurnada num jogo sujo. talvez fosse a curiosidade, entende? eu sou muito curiosa e levo tudo até a última gota, pra ver onde vai dar, onde poderia ter dado. e talvez fosse também um resquício de fé... eu podia confiar nele, ele não me faria mal.
-- eu quero intimidade. confia em mim.
era um pedido insistente. e, de certa maneira, eu dividi coisas com ele. falei, inclusive, desse alguém. muito do que eu pensava sobre o meu "cuidado" para com essa pessoa. ele passava as tardes me falando da vida dele, das coisas que pensava e eu tomava conta da música. ele me achava muito diferente para a minha idade e me comparava à filha: "26 anos, completamente sem cérebro".
ouvíamos Yann Tiersen; ele sentava numa cadeira, olhando para o teto. e aquele silêncio... aquele silêncio vivo e cheio de contemplação... por mais que a situação tendesse ao oposto, por uns minutos eu construía uma imagem nítida do que era realmente a amizade. e me iludia com aquilo tudo, achando que eu podia fazer com que as coisas ficassem exatamente daquele jeito.
mas não podia, não. ele se aproximava novamente e pedia pra que eu confiasse nele. e eu nunca fui de demorar muito pra perceber: eu sabia exatamente qual o tipo de intimidade que ele queria... e conhecia a mentira que nós contaríamos.
numa dessas tardes, ele entregou a intenção.
-- vem cá. me dá um beijo.
acho que ele queria que fosse rápido porque estava mais velho do que pensava...
ao tentar definir confiança, na pele dele eu diria que procuro alguém com quem dividir uma verdade exclusiva, sobre a qual tivéssemos de mentir. claro, porque a mentira torna tudo mais interessante.
sempre houve ali uma admiração mútua. éramos parecidos desde que eu me lembrava; dois exclusivistas solitários, desleixados, obcecados por ideias, com egos monumentais (...) é... seria bom ter um amigo assim; parecido comigo (pra variar) e mais íntimo, enfiado nas minhas tralhas.
já houve quem me dissesse coisas tão bonitas quanto ele, mas não tão irredutivelmente. ele dizia que o meu carinho era a minha melhor parte e que eu faria melhor se não me reservasse tanto. "são características contraproducentes", completava. falava que via o meu cuidado com sei lá quem e eu suspeitava que tivesse ciúmes do que eu explicitava em determinadas ocasiões por determinadas pessoas. eu me sentia verdadeiramente notada. e não, não é pela massagem de ego; é pelo fato de um quase-estranho-ridiculamente-familiar ter me sacado o suficiente pra dizer as mesmas palavras que eu usaria, se pudesse falar algo bom a meu respeito estando na pele de uma terceira pessoa.
-- me conta algo que você nunca disse a ninguém.
mas que fissura, eu pensava. acho que ele realmente precisa da minha confiança. tinha vontade de perguntar por que, mas temia que ele respondesse que queria nos esconder. e depois temia que aquele fosse um simples jogo sujo... e eu finalmente respondia que, mesmo se contasse todos os meus segredos, ele não teria nada. ele dava uma risada irônica.
os dias prosseguiam assim. eu no escritório dele, analisando contas, mexendo em tabelas. ele se aproximava, trazia o almoço e ficava papeando comigo. falava pracaraleo. dizia que era pra compensar o meu silêncio. e fazia dessas observações sacais que me confundiam. ele não tinha ideia das coisas que aconteceram comigo e, no entanto, como que me adivinhava.
em dado momento, comecei a suspeitar de que, no fundo, no fundo, ele falava de si mesmo. isso me irritava... porque é exatamente o que eu faço. e faço com aquela panca de quem tem mais dez truques na manga. ele também fazia e sabia que fazia. era brincar com um espelho.
o problema é que havia mais alguém. uma pessoa em comum, que ele conhecia bem e eu também. ele me pedia intimidade, com a desculpa de que eu não poderia nunca dividir certas coisas com essa terceira pessoa. coisas sobre nós, que nós confidenciaríamos. feito um peão de tabuleiro de xadrez, eu fingia que não, mas já estava enfurnada num jogo sujo. talvez fosse a curiosidade, entende? eu sou muito curiosa e levo tudo até a última gota, pra ver onde vai dar, onde poderia ter dado. e talvez fosse também um resquício de fé... eu podia confiar nele, ele não me faria mal.
-- eu quero intimidade. confia em mim.
era um pedido insistente. e, de certa maneira, eu dividi coisas com ele. falei, inclusive, desse alguém. muito do que eu pensava sobre o meu "cuidado" para com essa pessoa. ele passava as tardes me falando da vida dele, das coisas que pensava e eu tomava conta da música. ele me achava muito diferente para a minha idade e me comparava à filha: "26 anos, completamente sem cérebro".
ouvíamos Yann Tiersen; ele sentava numa cadeira, olhando para o teto. e aquele silêncio... aquele silêncio vivo e cheio de contemplação... por mais que a situação tendesse ao oposto, por uns minutos eu construía uma imagem nítida do que era realmente a amizade. e me iludia com aquilo tudo, achando que eu podia fazer com que as coisas ficassem exatamente daquele jeito.
mas não podia, não. ele se aproximava novamente e pedia pra que eu confiasse nele. e eu nunca fui de demorar muito pra perceber: eu sabia exatamente qual o tipo de intimidade que ele queria... e conhecia a mentira que nós contaríamos.
numa dessas tardes, ele entregou a intenção.
-- vem cá. me dá um beijo.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
damien - the rat within the grain
♫ (...) i wouldn't want you to want to be wanted by me
i wouldn't want you to worry you'd be drowned within my sea
i only wanted to be wonderful, and wonderful is true
in truth, i only really wanted to be wanted by you (...) ♫
i wouldn't want you to worry you'd be drowned within my sea
i only wanted to be wonderful, and wonderful is true
in truth, i only really wanted to be wanted by you (...) ♫
sexta-feira, 26 de junho de 2009
meu horóscopo no Metro Diversão
"A Lua forma um aspecto tenso com Urano, seu astro, no domingo. É comum um aumento no índice de acidentes, quedas e topadas, já que você está propenso a mudar de direção rapidamente, e não estará olhando muito por onde anda. Fique ligado.".
Adoro quando o horóscopo zela pela minha integridade física.
Adoro quando o horóscopo zela pela minha integridade física.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
superpoderes
Quando eu era pequena, cismava que conseguia ver o mundo girando. E corria chamar a Mãe, pra ver se ela notava. Dizia que ela tinha que se concentrar no azul e não nas nuvens. Ela olhava um pouco – os adultos nunca olham tempo suficiente pr’aquilo que a gente aponta – e concluía que eu estava apenas observando o vento empurrar as nuvens em contraste com o azul. Eu dizia que não, que era ela quem não via, então ela dizia que tinha coisa gostosa na cozinha e o assunto se encerrava ali. É realmente muito fácil me fazer calar a boca...
Eu também cismava que conseguia enxergar as bactérias. Chamava a Mãe e perguntava se ela estava vendo a bactéria passando bem na ponta do meu nariz. E ela dizia que era bem provável que houvesse bactérias em tudo que é lugar do meu nariz, mas que, se eu estava vendo algo diferente do usual, é porque estava vesga. Então eu respondia que aquilo não era ficar vesga, era sim um modo secreto de olhar as bactérias. E novamente o assunto se encerrava quando ela mencionava a cozinha.
Daí veio o dia em que eu utilizei meu método de enxergar bactérias à noite. Nunca me ocorreu que eu dependesse da claridade do Sol para vê-las. E eu fiquei testando o método secreto até sentir que meus olhos iam quebrar. Por algum motivo, eu não as via. Daí corri chamar a Mãe pra perguntar o que tinha acontecido, mas resolvi ficar quieta na hora. Pensei comigo que ela ia falar dos meus olhos quebrados e dizer algo sobre elas serem invisíveis. Larguei de mão e decidi retomar o teste pela manhã. Aproveitaria, igualmente, pra ver se o mundo ainda girava – à noite, eu não podia sair de casa pra me certificar de que o mundo continuava girando, mas também não me importava, pois ficava tudo muito escuro pr’eu ver qualquer coisa.
Pela manhã, o mundo ainda girava e eu consegui ver as minhas bactérias. O que eu não entendia era por que motivo não as vira de noite, se na escola e em casa todo mundo dizia que elas estavam em toda parte a todo o momento.
Bem... Isso foi um dilema na minha vida e eu só obtive resposta quando me toquei de que o Sol é o pai de todas as cores e efeitos ópticos para sacar que o que eu via eram manchinhas transparentes decorrentes do encontro da luz com aquelas coisas que você (não) enxerga quando fica vesgo. E, afinal, o que eu via girar também não era o mundo. Bastou olhar pr’o céu num dia sem nuvens... O azul fica parado.
Não preciso nem dizer o impacto que isso teve sobre a minha pequena pessoa. Foi trágico; acabei subtraindo um monte de superpoderes por conta da razão. Minhas únicas habilidades especiais remanescentes eram a de catadora de pecinhas de Lego que o Davi perdia pela sala e, claro, o serviço de tradutora que eu prestava aos meus pais quando ele balbuciava um dialeto babão.
Comecei a aprender a ser grande. Ser grande era entender das coisas. Depois a gente descobre que não, que é entender menos, mas, ok, vamos relevar essa parte. Deixei as bactérias; o mundo girando; as acrobacias tortas (eu tinha uma estrela e uma cambalhota que eram de matar... literalmente); a toalhinha com capucho que servia de capa; os planos infalíveis para entrar na cozinha enquanto meus pais ainda dormiam, e passei a me dedicar ao estudo das coisas. E observei coisas muito interessantes. Por exemplo, notei que a água que corre para o ralo corre num sentido só e que essa água que sai da torneira é a mesma que passa no rio, que enche por causa da chuva. Então corri perguntar pra Mãe por que a água corria num sentido só e como é que se fazia chuva. E ela me disse que a Terra tinha ímãs gigantes que faziam a água girar em determinados sentidos. E eu achei a explicação meio fajuta, porque, veja bem: por algum motivo, não faz sentido eu dizer que enxergo bactérias, mas faz todo o sentido do mundo dizer que a água corre pr’um único lado, só porque tem um íma de geladeira gigante lá na ponta do iceberg... Hello-o, até eu, que tenho um senso crítico totalmente prejudicado, sei que não tem coisa mais ridícula. Mas tudo bem.
... Então ela disse que a chuva só se fazia chuva por conta dessa água do rio, que é a mesma que sai da torneira. Daí eu pensei um pouco e quis saber: se a água da chuva é a mesma do rio e a do rio é a mesma da torneira, isso quer dizer que é sempre a mesma água e que ela enche uma quantidade limitada de nuvens, rios e torneiras... Que se faz se a gente beber tudo? Mamãe ficou mudinha e aí eu entendi que ninguém entende realmente nada.
Larguei de mão dessa ideia de entender das coisas. Esperto foi o cara que, pra evitar maiores compromissos, inventou a expressão “é tudo muito relativo”. Comecei a debandar pelo mundo, que não mais girava e, ironicamente, passei a desenvolver, certo que muito aos pouquinhos, outros superpoderes.
Tipo o superpoder de ler bons amigos. E um outro, que se chama paciência – com os bons amigos, inclusive. E o superpoder de abrir potes de conserva sozinha. Acho que, basicamente, foram esses e uns outros de menor importância...
De vez em quando, eu ainda fico vesga pra lembrar das bactérias que eu via, mas confesso que é só pra não perder o hábito de brincar com o Sol. Ah, e o mundo voltou a girar, sim. Só que agora eu percebo isso olhando as pessoas muito mais do que o céu...
Eu também cismava que conseguia enxergar as bactérias. Chamava a Mãe e perguntava se ela estava vendo a bactéria passando bem na ponta do meu nariz. E ela dizia que era bem provável que houvesse bactérias em tudo que é lugar do meu nariz, mas que, se eu estava vendo algo diferente do usual, é porque estava vesga. Então eu respondia que aquilo não era ficar vesga, era sim um modo secreto de olhar as bactérias. E novamente o assunto se encerrava quando ela mencionava a cozinha.
Daí veio o dia em que eu utilizei meu método de enxergar bactérias à noite. Nunca me ocorreu que eu dependesse da claridade do Sol para vê-las. E eu fiquei testando o método secreto até sentir que meus olhos iam quebrar. Por algum motivo, eu não as via. Daí corri chamar a Mãe pra perguntar o que tinha acontecido, mas resolvi ficar quieta na hora. Pensei comigo que ela ia falar dos meus olhos quebrados e dizer algo sobre elas serem invisíveis. Larguei de mão e decidi retomar o teste pela manhã. Aproveitaria, igualmente, pra ver se o mundo ainda girava – à noite, eu não podia sair de casa pra me certificar de que o mundo continuava girando, mas também não me importava, pois ficava tudo muito escuro pr’eu ver qualquer coisa.
Pela manhã, o mundo ainda girava e eu consegui ver as minhas bactérias. O que eu não entendia era por que motivo não as vira de noite, se na escola e em casa todo mundo dizia que elas estavam em toda parte a todo o momento.
Bem... Isso foi um dilema na minha vida e eu só obtive resposta quando me toquei de que o Sol é o pai de todas as cores e efeitos ópticos para sacar que o que eu via eram manchinhas transparentes decorrentes do encontro da luz com aquelas coisas que você (não) enxerga quando fica vesgo. E, afinal, o que eu via girar também não era o mundo. Bastou olhar pr’o céu num dia sem nuvens... O azul fica parado.
Não preciso nem dizer o impacto que isso teve sobre a minha pequena pessoa. Foi trágico; acabei subtraindo um monte de superpoderes por conta da razão. Minhas únicas habilidades especiais remanescentes eram a de catadora de pecinhas de Lego que o Davi perdia pela sala e, claro, o serviço de tradutora que eu prestava aos meus pais quando ele balbuciava um dialeto babão.
Comecei a aprender a ser grande. Ser grande era entender das coisas. Depois a gente descobre que não, que é entender menos, mas, ok, vamos relevar essa parte. Deixei as bactérias; o mundo girando; as acrobacias tortas (eu tinha uma estrela e uma cambalhota que eram de matar... literalmente); a toalhinha com capucho que servia de capa; os planos infalíveis para entrar na cozinha enquanto meus pais ainda dormiam, e passei a me dedicar ao estudo das coisas. E observei coisas muito interessantes. Por exemplo, notei que a água que corre para o ralo corre num sentido só e que essa água que sai da torneira é a mesma que passa no rio, que enche por causa da chuva. Então corri perguntar pra Mãe por que a água corria num sentido só e como é que se fazia chuva. E ela me disse que a Terra tinha ímãs gigantes que faziam a água girar em determinados sentidos. E eu achei a explicação meio fajuta, porque, veja bem: por algum motivo, não faz sentido eu dizer que enxergo bactérias, mas faz todo o sentido do mundo dizer que a água corre pr’um único lado, só porque tem um íma de geladeira gigante lá na ponta do iceberg... Hello-o, até eu, que tenho um senso crítico totalmente prejudicado, sei que não tem coisa mais ridícula. Mas tudo bem.
... Então ela disse que a chuva só se fazia chuva por conta dessa água do rio, que é a mesma que sai da torneira. Daí eu pensei um pouco e quis saber: se a água da chuva é a mesma do rio e a do rio é a mesma da torneira, isso quer dizer que é sempre a mesma água e que ela enche uma quantidade limitada de nuvens, rios e torneiras... Que se faz se a gente beber tudo? Mamãe ficou mudinha e aí eu entendi que ninguém entende realmente nada.
Larguei de mão dessa ideia de entender das coisas. Esperto foi o cara que, pra evitar maiores compromissos, inventou a expressão “é tudo muito relativo”. Comecei a debandar pelo mundo, que não mais girava e, ironicamente, passei a desenvolver, certo que muito aos pouquinhos, outros superpoderes.
Tipo o superpoder de ler bons amigos. E um outro, que se chama paciência – com os bons amigos, inclusive. E o superpoder de abrir potes de conserva sozinha. Acho que, basicamente, foram esses e uns outros de menor importância...
De vez em quando, eu ainda fico vesga pra lembrar das bactérias que eu via, mas confesso que é só pra não perder o hábito de brincar com o Sol. Ah, e o mundo voltou a girar, sim. Só que agora eu percebo isso olhando as pessoas muito mais do que o céu...
terça-feira, 2 de junho de 2009
Alice Ruiz
Vocês não vão acreditar, mas eu mandei um e-mail para a moça perguntando sobre a possibilidade de agendar uma entrevista, a fim de batermos um papo - eu preciso fazer um trabalho para a faculdade. Não é que a moça respondeu? XD
Segue a resposta na íntegra:
Oi, Andrea,
estou devendo tantas entrevistas e não consigo achar tempo. Você tem pressa?
Teu e-mail foi tão simpático que me deu vontade de te atender. Talvez uma coisa rápida por telefone.
O meu é (XX) XXXX-XXXX. Não uso celular.
Abraço
Alice
Site: www.aliceruiz.mpbnet.com.br
Blog: http://aliceruiz.com.br
Quem aí tiver qualquer curiosidade sobre a vida dela (com ou sem Paulo Leminski), me fala. Pretendo ligar até o final da semana. /o/
Segue a resposta na íntegra:
Oi, Andrea,
estou devendo tantas entrevistas e não consigo achar tempo. Você tem pressa?
Teu e-mail foi tão simpático que me deu vontade de te atender. Talvez uma coisa rápida por telefone.
O meu é (XX) XXXX-XXXX. Não uso celular.
Abraço
Alice
Site: www.aliceruiz.mpbnet.com.br
Blog: http://aliceruiz.com.br
Quem aí tiver qualquer curiosidade sobre a vida dela (com ou sem Paulo Leminski), me fala. Pretendo ligar até o final da semana. /o/
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